ACIDENTE DE TRÂNSITO BR-153 VIAÇÃO ESTRELA 13.DEZ.2010

Muitas empresas de ônibus que transportam passageiros não se importam com a vida humana e muito menos demonstram a menor preocupação com os direitos humanos e a dignidade da pessoa humana. Pensam no passageiro como um detalhe que a empresa tem que transportar visando sempre e somente o lucro fácil com o menor custo para empresa. Pensam que isto é sinal de boa administração, contratam equipe de advogados para se proteger de processos contra suas falhas e esquecem da Constituição Federativa do Brasil, nossa "Lei Maior", a "Lei Máxima", que protege em seu texto, especialmente, o direito à vida, a dignidade da pessoa humana enquanto cidadão, em um Estado Democrático de Direito.

No dia 14 de dezembro de 2010 li uma "Nota Oficial" da Viação Estrela com relação a um acidente de trânsito na BR-153, próximo da cidade de Morrinhos-GO. Confira no endereço:

Cabe destacar um acidente envolvendo um ônibus da Viação Estrela no dia 13 de dezembro de 2010 que aconteceu por volta de 08:30 da manhã depois de sair da cidade de Morrinhos-GO com o ônibus tendo sua saída de origem no município do sudoeste goiano chamado Bom Jesus de Goiás-GO com destino final desembarcando todos na capital goiana chamada Goiânia-GO, mas com paradas em rodoviárias localizadas nos municípios goianos chamados Goiatuba-GO, Morrinhos-GO e Professor Jamil-GO, sem contar as paradas durante o trajeto para embarque de passageiros nos espaços de encostamentos da rodovia (BR-153).

Na "Nota Oficial" divulgada no link acima faltaram informações importantes quando a pista não estava molhada e o tempo ainda estava bom (sem qualquer sinal de chuva) que ocorreram durante o trajeto desde a saída do perímetro urbano de Goiatuba-GO, detalhes que vão além da suposta "aquaplanagem" alegada na "Nota Oficial".

Um dos passageiros deste ônibus, que ocupava a poltrona 37, relatou a sorte de sobreviver para mencionar o seu relato. Assim relatou: "Houve um acidente que sobrevivi graças a minha atitude de buscar socorro na pista, momento em que uma alma gentil me socorreu. Afinal, fui a primeira vítima a ser atendida no HUGO-Hospital de Urgências do Estado de Goiás. Devido ao atendimento ainda muito precário foi muito válido o atendimento médico que costurou(suturou) um corte na cabeça que ia até a testa sangrando muito, infelizmente fiquei sem acesso à neurologia e a ortopedia, segui depois para atendimento na EMERGÊNCIA do Hospital Neurológico que realizou exames mais detalhados e atendimento com médicos especialistas em neurologia e ortopedia, constatou-se polifraturas (Traumatismo Crânio Encefálico, coluna e bacia).

Eu estava naquele veículo voltando à Goiânia. Ainda estou com fortes dores pelo corpo, especialmente na cabeça, coluna, bacia e perna esquerda que foram as partes mais danificadas. Destacando o susto, o pavor e o pânico de ver que o ônibus foi virando até tombar, rodar e jogar passageiros com bagagens de um lado para o outro, tudo misturado, como um grande liquidificador batendo vidas humanas. Foi horrível! Uma tragédia sutilmente anunciada durante a saída da área urbana de Goiatuba entrando na pista no sentido do trevo quando o motorista fez uma espécie de jogo de volante, de um lado para outro, momento em que o ônibus estava seguindo em linha reta dentro da normalidade quando avançou para a pista do lado esquerdo retornando bruscamente para a pista em que estava e não havia trânsito, nem pessoas no local, nem animal ou obstáculo na pista! O ônibus balançou os passageiros que estavam sentados e do lado de dentro via-se o teto pendendo muito para direita e conseguiu voltar ao normal, mas dava a impresão que poderia virar. O tempo ainda continuava bom e não chovia. Mas foi um susto! Mas o pior estava por vir... infelizmente...

Mais adiante, no trajeto, aconteceu outro jogo de volante parecido com o primeiro e outro susto! Na terceira vez, com o mesmo procedimento tipo jogo de volante, não houve a mesma sorte do ônibus voltar ao seu equilíbrio normal e tombou para direita, rodando na pista da BR-153, deslizando e vindo parar somente no canteiro central. Neste momento chovia e a pista estava molhada. A empresa Viação Estrela na "Nota Oficial" acima ressalta as qualidades do suposto excelente profissional motorista com base no tempo de serviço do mesmo, no entanto, esquece que em pista molhada se reduz a velocidade, que na possibilidade de suposta "aquaplanagem" é mais seguro parar o veículo em segurança e esperar a chuva passar, já que o motorista deve ser provavelmente tão experiente e grande conhecedor do trecho diante das informações fornecidas na "Nota Oficial" da empresa.

Sei que ainda estou com fortes dores pelo corpo, com pontos que vão da cabeça até a testa, hematomas e arranhões pelo corpo. Ressaltando que desde o acidente não consigo dormir porque não saí de minha memória a quantidade de sangue que perdi, a quantidade de sangue dentro do ônibus, passageiros feridos, muitas vozes pedindo ajuda e o desespero estampado no rosto de todos quando olhavam para mim porque o corte na minha cabeça fez o sangue descer para o meu rosto, braços e mãos. O sangue se destacaria ainda mais em mim caso eu não estivesse com roupa escura e o cabelo escuro, mas o olhar de espanto das pessoas ao me ver sangrando ainda está na minha mente. Quando percebi o susto das pessoas me olhando também percebi o tamanho de minha gravidade e a necessidade de sair de dentro do veículo para buscar socorro médico urgente.

Estou vivendo o pesadelo da primeira semana deste acidente e nenhum funcionário da empresa Viação Estrela entrou em contato comigo, nunca recebi qualquer assistência desta empresa e muito menos do motorista no momento do acidente. Inclusive esta empresa, Viação Estrela, não recolhe os dados dos passageiros que transporta, mas recolhe o pagamento em dinheiro, não aceitando pagamento com cartão de crédito, nem no débito!

Meu nome nem está no relatório, feito às pressas no dia 14.dez.2010 e encerrado 15.dez.2010, pelo policial Agnaldo da Polícia Rodoviária Federal (Morrinhos-GO), mesmo eu tendo pedido por telefone que colocasse meus dados no relatório porque eu tinha como provar que era passageiro, mesmo sem ter a passagem em mãos; no entanto, o policial decidiu concluir o relatório. Mesmo eu informando que quem me socorreu foi o policial rodoviário federal Costa que estava no Posto da PRF de Hidrolândia-GO (um posto mais próximo da capital). O descaso da empresa Viação Estrela  foi total e o senhor que me socorrou na pista até o Posto da PRF de Hidrolândia-GO e o Policial Costa da PRF de Hidrolândia-GO que prestaram a verdadeira assistência de socorro em tempo hábil para salvar minha vida bem como evitar que meu estado se agravasse ainda mais. Esses sim foram além de suas obrigações! Depois de agradecer à Deus agradeço à estes dois anjos (dois heróis) que prestaram o verdadeiro socorro.

Graças à Deus e ao meu empenho em buscar socorro imediato sobrevivi a este acidente. Graças também um cidadão de bem, assessor de um senador, que me socorreu na pista me conduzindo ao posto da PRF de Hidrolândia-GO para chegar ao HUGO tendo como condutor da viatura o policial Costa da PRF que vendo meu estado socorreu de imediato, mas acionou o resgate para os demais passageiros que estavam no local do acidente. Estes dois homens foram verdadeiros heróis neste dia! Salvaram minha vida! A mesma sorte não teve a segunda vítima deste acidente que foi atendida, depois de mim, na EMERGÊRGIA do HUGO, pois morreu. Ouvi dizer que era uma senhora de 43 anos, professora em Goiatuba. Me lembro dela no acidente ainda viva, com outras pessoas em sua volta, esperando o resgate chegar enquanto eu seguia em busca de socorro imediato.

Perdi muito sangue e minha maior preocupação foi o fato do meu sangue ser um tipo raro "A Negativo", muito difícil de ser encontrado.

Desde o acidente não consigo dormir devido as fortes dores na coluna, na cabeça, na bacia e na perna esquerda embora esteja tomando remédios e um analgésico muito forte com receia controlada.

Ainda estando em estado de choque me senti na obrigação de dever moral como ser humano e como consumidor de comunicar, neste blog, que a "Nota Oficial" da empresa Viação Estrela somente consta mesmo "informações preliminares" parecendo querer eximir a empresa de maiores responsabilidades sem se importar muito com as vidas que transportava. Ressaltando que o ônibus da Viação Estrela que apresentou falha mecânica durante a viagem e que depois tombou era um ônibus que não oferecia cinto de segurança aos passageiros porque uma norma do CONTRAN permite que ônibus fabricado (sem cinto de segurança) até o ano de 1.999 continuem transportando passageiros. Um absurdo! Se o ônibus tivesse cinto de segurança os passageiros não teriam se ferido e nem perdido a vida.     

Meu corpo está apresentando mais hematomas no terceiro e quarto dia depois do acidente, as dores estão bem mais intensas do que no dia do acidente. No entanto, o pior foi bater a cabeça durante o acidente, o pior foi ver o espanto no rosto das pessoas me olhando até que percebi a quantidade de sangue que escorria da minha cabeça. A batida na minha cabeça foi na quina do bagageiro do ônibus quando tombou e meu corpo foi lançado para fora da poltrona, momento em que o corpo foi jogado de um lado para o outro no interior do ônibus até que parou com esta pancada final na parte direita da cabeça. Agora estou com pontos que vão do couro cabeludo da cabeça até a testa.

Se houvesse cinto de segurança eu não estaria vivendo este pesadelo porque meu corpo foi jogado de um lado para o outro por não ter cinto de segurança, pois minha poltrona (nº 37) estava em perfeita condições quando olhei pelo interior do ônibus tombado procurando minha bagagem de mão.

Minha angústia e sofrimento se misturam com a tristeza de estar nesta situação lastimável que poderia ter sido evitada, pois estamos na época de Natal comemorando o nascimento de Jesus e momento de estar em união com a família. Então, nasci de novo e tenho mais um motivo para comemorar, graças a ajuda de Deus e de dois homens bondosos que me prestaram socorro quando mais precisei. No entanto, antes deste acidente trágico eu tinha uma vida para viver sem estes traumas, sem estas dores e sem estas cicatrizes (do corpo e da alma).

Não encontrei até agora nenhuma palavra ou frase que venha descrever com exatidão a angústia e a dor que estou sentindo agora.

A empresa Viação Estrela tem realmente mais força de divulgar situações ou "informações preliminares" sem se importar em ouvir o relato das vítimas que sobreviveram a este acidente.

Ficar divulgando uma situação de forma fria é fácil, difícil é sentir a fraquesa que um passageiro tem diante de uma empresa (Viação Estrela) que em "Nota Oficial" deixa bem comprovado sua real preocupação com o patrimônio da empresa (o ônibus, os pneus e sua revisão) e com os elogios ao curriculum do motorista contratado, por último faz uma vaga menção sobre o passageiro. 

Em momento algum a empresa demonstra em "Nota Oficial" sua preocupação com a vida humana ou com o transporte de seres humanos, pois não faz ficha com dados de passageiros e nem tem cinto de segurança nas poltronas, sendo que é notório a eficácia do uso de cinto de segurança em caso de acidente independente de lei que obrigue o uso de cinto de segurança.

Em "Nota Oficial" a empresa destaca muito sua preocupação em demonstrar sua auto defesa alegando que segue regras e que segue o Código de Trânsito Nacional, mas é lamentável que em "Nota Oficial" a Viação Estrela não demonstra seguir os princípios e garantias fundamenais da "Lei Maior" do Brasil, a Constituição Federal de 1988, especialmente porque todos são iguais perante a lei, todos possuem direito à vida e direito à saúde. (art.5º, CRFB/1988) Se a Viação Estrela se preocupasse tanto em transportar seres humanos com segurança já teria em seus ônibus cinto de segurança e ficha de identificação de passageiros antes do embarque, duas medidas simples capazes de salvar vidas e evitar maiores problemas.

Uma das piores sensações é saber que uma empresa, do porte da Viação Estrela, demonstra não se importar com as consequências que a falta de respeito à vida humana pode causar nos passageiros que transporta, como se não bastassem as dores do corpo (ferimentos, marcas e cicatrizes) ainda tem as dores que ficam na alma, as lembranças que não me deixam mais dormir direito, que me assusta com os pesadelos do acidente, que me deixam com verdadeiro pânico de sair de minha casa, essas dores que limitam meus movimentos e tudo é uma grande tristeza sem fim nos meus pensamentos. As vezes eu fico sorrindo para as pessoas não perceberem o tamanho das minhas dores e o tamanho dos meus sofrimentos porque de nada adianta ficar reclamando para as pessoas as minhas lamentaçõs e angustias. 

Que exista justiça neste caso para todos!

Espero que exista um Senador de Goiás ou uma autoridade  capaz de criar uma Lei Federal obriando ônibus intermunicipais e ônibus coletivos intermunicipais a terem cintos de segurança para todos os passageiros, bem como ficha de identificação de passageiros antes do embarque e muita fiscalização com multas altas porque não se pode mais deixar que empresas continuem atuando no mercado desprezando a vida humana visando somente o lucro sem a mínima responsabilidade em cumprir o que manda a Constituição Federal de 1988.

Que realmente a justiça seja feita para todos!"

Este relato foi de uma vítima que sobreviveu de um grave acidente! Também esperamos que a justiça seja feita e também que exista uma Lei Federal capaz de salvar vidas no sentido de obrigar empresas de ônibus a oferecer segurança para seus passageiros ou seja cinto de segurança, ônibus mais novos, boa mecânica, entre outros fatores que visem garantir a segurança dos passageiros e não somente visar o lucro fácil sem se importar com vidas humanas!

Que a justiça seja feita e este relato da vítima que sobreviveu não tenha sido em vão!



















































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